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Depois do ocorrido de hoje resolvi que chegou a hora de escrever o texto abaixo, sobre façanhas vivenciadas no transporte público paulistano.
Então que, não sei por que, alguns ônibus da capital ficam passando o texto “Veículo novo” no letreiro luminoso. Aí, entre um número de linha e outro, entre um destino e outro aparece o tal “Veículo novo”. A pessoa, lesada e alienada que é, dia desses chega ao ponto, avista um ônibus chegando, lê “Veiculo novo” e não pensa duas vezes: faz sinal e entra. Quando chega ao cobrador se dá conta e que não faz a mínima idéia de para onde aquela joça de ônibus vai se encaminhar. Resumo: faz o pheeno, passa a catraca, aperta o botaozinho, desce no próximo ponto e acorda pra vida.
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Então o ônibus sobe a Augusta do lado dos Jardins, atravessa a Paulista e começa a descer a Augusta do outro lado. Impressionante como a paisagem muda. Então, a pessoa observa que entre neons de cores duvidosas, que camuflam bares e boates mais duvidosos ainda, existem lojas de roupas femininas. Bem, o ônibus segue e a pessoa repara que as vitrines são recheadas de modelitos mais duvidosos ainda. Entre um colanzinho preto de zíper lateral, um espartilho de oncinha e algumas meias-calça, que ainda não consegui entender por onde entram no corpo de uma pessoa, eis que surge uma modelo (boneca) posicionada na porta de um estabelecimento, vestida a caráter e colocada de quatro. Ah, com a bunda virada obviamente para fora.
O susto só não foi maior do que quando, mais abaixo, a pessoa lê um cartaz escrito a caneta “faz-se escovinha baiana: 20 reais”.
Gente, diante da cena, o que é escovinha baiana??? Em que parte do corpo isso é feito, pleeeeaseee?????
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A pessoa se levanta para descer do ônibus e observa um homem, por volta de 40 anos, com uma apostila em mãos a estudar. Lógico que, ao ver desenhos grandes com nomes escritos embaixo, a pessoa que já deu aula de alfabetização de adultos já estica logo o pescoço para dar uma olhada.
Pensamento da hora: “que senhor aplicado vai aprender a ler rapidinho”.
Dez segundos depois, quando a pessoa consegue identificar, sem óculos, o que o simplinho homem estuda, percebe-se que o que está escrito são aqueles risquinhos, tipo árabe. Ah! E com a tradução escrita em espanhol.
Pensamento da hora: “deixa eu sair daqui porque o simplinho sou eu!”.
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Ah! O que aconteceu hoje? Eu conto.
Fui almoçar em casa e na volta sentei-me sozinho num banco. A minha frente um gatinho e sua namorada. Eis que entre uma conversinha baixinha e outra entre o casal surge uma puxada de braço (daquelas do tipo tira-abruptamente-o-braço-de-cima-da-perna-da-namorada-e-desencosta-da-perua) e uma voz raivosa “então fica com ele!”. Pronto! Estabelece-se uma discreta discussão, que, obviamente, a pessoa aqui não deixa passar despercebida e fica mega atento na performance do gatinho em fúria. Pois é, dois pontos após aquele que seria seu destino, a pessoa acorda para vida. Desce e pega outro ônibus pra voltar pra onde passou, pois dois pontos em São Paulo pode significar uma distância de trocentos quilômetros. E claro, no caso significava.
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20.8.08
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1 comentários:
morei minha vida toda aqui... nunca tive essas aventuras!!!
inveja.
rs
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